Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad protagonizam debate nacionalizado em São Paulo com acusações de infiltração do PCC e do Comando Vermelho, além de críticas aos governos Lula e Bolsonaro
Na terça‑feira, 29 de outubro, a TV Globo exibiu o último debate do primeiro turno da disputa pelo governo de São Paulo, em um formato nacionalizado que reuniu Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e Fernando Haddad, do PT, como únicos candidatos com representação no Congresso Nacional.
O confronto ocorreu em um cenário de campanha marcada por temas como a privatização da Sabesp, os resultados da educação estadual, concessões no setor de transporte e o aumento dos registros de feminicídio. A Prefeitura de São Paulo e seus contratos sob investigação foram citados por Haddad, enquanto Tarcísio trouxe à tona os pedidos de recuperação judicial de empresas ocorridos durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao iniciar o debate, a segurança pública — a principal preocupação dos eleitores paulistas segundo pesquisas — foi o ponto de partida. Ambos os candidatos lançaram críticas a supostas alianças com indivíduos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Tarcísio foi associado ao ex‑vereador Milton Leite (União Brasil), preso neste mês, enquanto Haddad foi acusado de ter vínculo com o vereador Senival Moura (PT).
Haddad enfatizou a presença do Comando Vermelho no interior do estado e a infiltração do PCC em instituições públicas e privadas. Em contrapartida, Tarcísio apontou indicadores criminais que teriam apresentado queda nos últimos anos.
O petista ainda destacou problemas de segurança, citando recordes de feminicídio, crimes de natureza racial e intolerância contra a comunidade LGBT. Ele informou que, de cada dez celulares roubados no Brasil, três são subtraídos no estado de São Paulo e dois na capital, reforçando a alegação de que “estamos batendo recorde de feminicídio no estado”.
Tarcísio respondeu que a violência contra a mulher não é exclusividade de São Paulo, mas um fenômeno nacional, e que a infiltração do crime organizado ocorre em todo o país. Ele mencionou a prisão recente de um vereador do PT acusado de lavagem de dinheiro em uma empresa de ônibus, afirmando que “não está ficando encoberto”.
No painel de apoio a Tarcísio estavam André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo; Ricardo Salles (Novo), deputado federal; Felício Ramuth (PSD), vice‑governador; Guilherme Derrite (PP), deputado federal; Baleia Rossi (MDB), deputado federal; Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo; Edson Aparecido (MDB), secretário de governo da Prefeitura; e Guilherme Afif Domingos (PSD), secretário estadual de Projetos Estratégicos.
Antes da transmissão, Derrite conversava com Salles em uma roda de conversa. André do Prado se afastou quando Salles se aproximou, episódio ocorrido um dia após Salles desistir da candidatura ao Senado e declarar apoio a Prado e a Derrite. A aproximação marcou uma mudança na relação entre Salles e Prado, que haviam protagonizado confrontos entre candidatos da direita. Salles já havia acusado Prado de dividir o eleitorado conservador e, em setembro, o TRE‑SP determinou a retirada de vídeos publicados por Salles contra Prado por conterem falsas acusações. Na plateia, apenas Derrite ficou entre Salles e Prado.
Do lado de Haddad, participaram Marina Silva (Rede), deputada federal e candidata ao Senado; Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e candidata ao Senado; Márcio França (PSB), candidato a vice‑governador na chapa de Haddad; Edinho Silva (PT), presidente nacional do partido; e Marco Aurélio Carvalho (PT), coordenador da campanha em São Paulo.
Durante o primeiro bloco, Tarcísio questionou Haddad sobre a segurança hídrica e, em seguida, abordou a saúde na Baixada Santista. Haddad utilizou o tema para criticar filas herdadas do governo Lula, que, segundo ele, resultaram da “pior gestão do mundo” da pandemia sob Bolsonaro, citando que 2,7% da população foi infectada e que o Brasil respondeu por 10% das mortes globais por Covid‑19.
Tarcísio rebateu, relacionando os atrasos na entrega da Linha 6‑Laranja do metrô à Operação Lava Jato, apontando que uma das estações da linha está sendo construída em terreno que ainda gera controvérsias.
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Com informacoes de G1.

