Steve Kolb renuncia ao CFDA após agredir ativistas da PETA em desfile da NYFW
Steve Kolb, após vinte anos ligados ao Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), anunciou sua renúncia ao cargo de CEO depois que vídeos que o mostram contorcendo fisicamente ativistas da PETA circularam amplamente nas redes.
O episódio foi registrado no domingo, 13 de setembro, durante a apresentação da coleção primavera/verão 2027 da COS, marca pertencente ao grupo sueco H&M. Cinco manifestantes subiram à passarela carregando cartazes com a frase “ovelhas espancadas e ensanguentadas por lã, não compre”, protestando contra o uso de lã de ovelha nas coleções.
No material, Kolb aparece em dois momentos: primeiro, impedindo que um homem gritasse durante o desfile; depois, segurando os movimentos de uma mulher para que ela não atravessasse a passarela. Na noite do evento, o executivo publicou stories no Instagram admitindo que havia “reagido de forma inapropriada” e que a segurança deveria ter tratado a situação.
Desde a segunda‑feira, 14 de setembro, Kolb foi afastado das funções enquanto o conselho analisava o caso. O CFDA, cujos membros incluem nomes como Tory Burch, Ralph Lauren e Michael Kors, informou que conduziria uma revisão formal.
A pressão da comunidade da moda e do público aumentou nos dias seguintes, culminando na sexta‑feira, 18 de setembro, quando Kolb comunicou oficialmente sua saída do CFDA. Ele ingressou na entidade em 2006 e assumiu a chefia em 2011, período em que liderou iniciativas como o CFDA/Vogue Fashion Fund e o CFDA Awards.
A PETA inicialmente declarou que registraria boletim de ocorrência e buscaria responsabilização criminal. Moira Colley, diretora de relações com a mídia da organização em Nova York, depois de consultar a polícia e advogados, informou que a estratégia mudou: a entidade optou por uma reunião direta com Kolb para discutir o fim do uso de lã e couro pelas marcas.
Segundo a PETA, o protesto tinha como alvo uma fazenda certificada pela NATIVA e vinculada ao H&M Group, onde trabalhadores teriam sido flagrados maltratando ovelhas durante a tosquia. A tática de invadir desfiles é uma prática deliberada da PETA há mais de três décadas.
Os registros históricos incluem o primeiro protesto desse tipo em 1991, durante um desfile da Oscar de la Renta, quando ativistas nus subiram à passarela com a faixa “Prefiro ficar nu a usar pele”. Em 2002, a organização interrompeu um desfile da Victoria’s Secret para protestar contra a modelo Gisele Bündchen, então garota‑propaganda da peleteria Blackglama, e também marcou presença em um desfile da Valentino com cartazes contra o uso de peles. Nos últimos anos, desfiles da Coach, Michael Kors, Burberry, Gucci, Hermès e Louis Vuitton já foram alvo de intervenções da PETA.
Outras intervenções relevantes citadas são: protesto da PETA em frente ao desfile da H&M na London Fashion Week, realizado na Olympia London, em 17 de setembro de 2026; protesto contra o uso de couro do lado de fora do espaço de desfiles do BFC durante a London Fashion Week, em 13 de setembro de 2019; apoiadores da PETA realizando um protesto “die‑in” nus, usando apenas máscaras de urso e segurando cartazes em diferentes idiomas com a mensagem “Ursos são abatidos para os guardas da rainha – Indefensável” próximo à Catedral de São Paulo, em Londres; policiais de Nova York prendendo ativistas pelos direitos dos animais que tentaram entrar nos escritórios da revista Vogue durante um protesto da PETA, em 2 de junho de 2003, em Nova York; ativistas da PETA derramando tinta vermelha sobre casacos de pele para protestar contra o uso de peles de animais na indústria da moda; manifestantes da PETA durante o protesto de Halloween.
Com informacoes de Metrópoles.

