Seguradoras dos EUA exigem mais de US$ 1 bilhão de Hyundai e Kia por furtos em veículos sem imobilizador
Um consórcio de cerca de 200 seguradoras nos Estados Unidos entrou com pedido judicial para que Hyundai Motor Co. e Kia Corp. paguem mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões) referentes a indenizações, custos de reparo e despesas relacionadas a veículos furtados ou danificados em tentativas de furto.
A ação, que havia sido arquivada, foi reativada após decisão do Tribunal de Apelações do 9º Circuito dos Estados Unidos, permitindo que o caso volte a tramitar na Justiça Federal da Califórnia.
As seguradoras acusam as fabricantes sul‑coreanas de terem deliberadamente omitido o imobilizador eletrônico nas versões básicas destinadas ao mercado norte‑americano, ainda que o dispositivo fosse equipamento de série em veículos vendidos em outros países. O mérito da acusação ainda será debatido em juízo.
O foco da demanda são veículos fabricados entre 2011 e 2022, sobretudo nas versões mais simples com chave convencional, que não receberam o imobilizador de fábrica. Modelos com partida por botão já incluíam a proteção eletrônica.
Segundo um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), foram identificados 20 modelos ou versões das duas marcas comercializados sem o equipamento de imobilização no período citado. Entre os Hyundai estavam Elantra, Sonata, Tucson, Santa Fe e Veloster; entre os Kia, Soul, Sportage, Sorento e Optima. A vulnerabilidade variava conforme o ano e a versão, e em 2022 o Hyundai Sonata tornou‑se o carro mais furtado em Los Angeles.
A falha passou despercebida por anos porque o imobilizador já era um item trivial desde as décadas de 1980 e 1990, levando os ladrões a supor que carros modernos não poderiam ser ligados sem ele. O método de furto consistia em remover parte do acabamento da coluna de direção, expor o mecanismo de ignição e girá‑lo com ferramentas rudimentares, permitindo que o motor funcionasse sem a necessidade de uma chave codificada.
A prática ganhou notoriedade em Milwaukee, Wisconsin, a partir de 2021, quando grupos de jovens — muitos adolescentes — começaram a furtar Hyundai e Kia vulneráveis para exibir os veículos nas redes sociais. Esses indivíduos passaram a ser conhecidos como “Kia Boys” ou “Kia Boyz”. Em apenas um ano, os furtos de carros das duas marcas na região aumentaram 2.644%.
Os vídeos divulgados pelos “Kia Boys” em 2022 viralizaram nas plataformas, incluindo TikTok, contribuindo para a disseminação do método em outras cidades dos Estados Unidos. Pesquisas da UCLA indicam que a prática já se espalhava em algumas cidades desde 2020; em Los Angeles, ladrões descobriram a vulnerabilidade durante a pandemia, quando muitos veículos permaneciam estacionados por longos períodos.
Em 2023, Hyundai e Kia lançaram uma atualização gratuita de software destinada a dificultar os furtos. A atualização, conforme calculado pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), afetou aproximadamente 3,8 milhões de Hyundai e 4,5 milhões de Kia nos EUA, alterando o funcionamento do alarme e da ignição. Para os veículos que não podiam receber a atualização, foram oferecidas soluções alternativas, como travas de volante e proteções físicas para o cilindro de ignição.
Apesar das medidas corretivas, a NHTSA relacionou o fenômeno a pelo menos 14 acidentes e oito mortes nos Estados Unidos.
As seguradoras afirmam que, até o momento, desembolsaram mais de US$ 1 bilhão em indenizações e custos associados aos furtos e tentativas de furto dos veículos vulneráveis, e agora buscam o ressarcimento das fabricantes por meio da sub‑rogação.
Com informacoes de Motor1.com Brasil.

