Secretário de Defesa dos EUA afirma que forças militares protegerão sistemas eleitorais nas eleições de meio de mandato
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos anunciou que unidades militares, entre elas o Comando Cibernético dos EUA e a Agência de Segurança Nacional (NSA), participarão ativamente da proteção dos sistemas eleitorais nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando a votação antecipada já está em curso.
Um memorando divulgado pelo Pentágono, aproximadamente cinco semanas antes da data da eleição, determina que as autoridades de inteligência da Defesa mobilizem todos os recursos disponíveis para "defender a infraestrutura eleitoral" contra "influência estrangeira maligna" e garantir que "todo eleitor legalmente habilitado possa votar livre de intimidação, coerção ou medo provocado por agentes estrangeiros".
O documento prevê a utilização de "capacidades avançadas de inteligência e cibernéticas" para "identificar, interromper e neutralizar a interferência estrangeira nos processos democráticos dos EUA". Essa medida foi descrita como vitória para a administração Trump, pois a Suprema Corte autorizou o uso de um banco de dados federal para triagem de eleitores.
Especialistas militares em cibersegurança vêm monitorando sistemas eleitorais desde 2017, quando os equipamentos de votação foram classificados como "infraestrutura crítica". As ações descritas no memorando são, em grande parte, extensões de procedimentos já adotados antes do retorno de Donald Trump à presidência, em 2025.
A iniciativa surge em meio a críticas de que o segundo governo Trump teria reduzido ou eliminado estruturas federais responsáveis por combater operações de influência estrangeira, especialmente dentro do FBI e do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI). Trump também continuou a contestar avaliações anteriores sobre tentativas da Rússia e da China de influenciar eleições americanas.
Preocupações foram amplificadas em abril, quando o novo chefe do Comando Cibernético e da NSA, general Joshua M. Rudd, declarou a parlamentares que não sabia se um grupo especializado em segurança eleitoral havia sido constituído para o pleito deste ano. Na segunda‑feira seguinte, Rudd afirmou que o Comando Cibernético e a NSA "combatem regularmente ações de agentes cibernéticos estrangeiros mal‑intencionados, inclusive daqueles que têm a intenção de interferir em nosso processo democrático".
Entretanto, Andrew Schoka, que atuou no Comando Cibernético durante o ciclo eleitoral de 2020, alertou que a proximidade da eleição pode limitar o alcance das ações. Em entrevista à CNN, ele disse: "O que me preocupa é que [Rudd] declarou em depoimento, ainda em abril, que não tinha certeza se existia um Grupo de Segurança Eleitoral no comando. O trabalho do ESG exige meses de planejamento e coordenação, e grande parte de seu impacto ocorre muito antes do dia da eleição. Se isso só está começando agora, você está realmente limitando o impacto que pode ter sobre os adversários antes das eleições de meio de mandato."
O grupo de segurança eleitoral, criado em resposta à operação russa de influência nas eleições presidenciais de 2016, tem atuado em todas as eleições gerais e de meio de mandato desde então, focando em trolls da Rússia, Irã e outros países que supostamente tentam minar os pleitos americanos.
Com informacoes de O GLOBO.

