Renan Santos defende o bolsonarismo como fenômeno democrático e reconhece tentativa de golpe de Jair Bolsonaro

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 12/10/2026 06:21
Renan Santos defende o bolsonarismo como fenômeno democrático e reconhece tentativa de golpe de Jair Bolsonaro

Foto: via VEJA

Candidato derrotado à presidência, Renan Santos (Missão), que recebeu 2.675.887 votos no primeiro turno e não declarou apoio nem a Lula (PT) nem a Flávio Bolsonaro (PL), participou de uma transmissão ao vivo no canal do Movimento Brasil Livre (MBL) e afirmou que o bolsonarismo é um “fenômeno democrático”. “O sucesso do bolsonarismo se explica pela democracia. Eles são essencialmente democráticos”, declarou.

A reação de Renan ocorreu após a publicação de um vídeo da deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), que buscava atrair eleitores do candidato derrotado. O vídeo serviu de gatilho para que Renan apresentasse sua defesa do movimento.

Renan reconheceu que Jair Bolsonaro tentou dar um golpe após a derrota nas eleições de 2022, ressaltando que o ex‑presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela empreitada antidemocrática. “O Jair tentou um golpe de estado sim”, afirmou, ao mesmo tempo em que argumentou que não há motivos para Flávio Bolsonaro tentar uma ruptura institucional agora que possui ampla maioria na Câmara e no Senado.

Em suas palavras, “Dito isto, pare de achar que democrático é um sistema de valores. O nosso sistema sufragista majoritarista é muito adequado ao bolsonarismo, que gosta do jogo e está ganhando”. Segundo Renan, os bolsonaristas “ganharam na democracia pura e simples” e estão “mais fortes do que nunca”.

Renan também enfatizou que “o bolsonarismo não quer dar um golpe de estado. É mais fácil acontecer o que eu venho descrevendo que é uma mexicanzação da política brasileira se deixarem o PL se estruturar”. Acrescentou que “não considero que o Flávio está tentando dar um golpe. É outro problema que a gente está vivendo. E, muito menos, considero que as Forças Armadas permitiriam um golpe dos Bolsonaro”.

Sobre o futuro de Flávio Bolsonaro, Renan previu que ele fará um “acordão” nos primeiros dias de governo para libertar o pai e “continuar a roubalheira”. “Ninguém acha que vai tomar um golpe”, reforçou. “A natureza do Flávio é a do acordo, nunca do conflito. Ele não é o pai dele”, completou, ao afirmar que “esse discurso cola na esquerda”.

Essas declarações contrastam com teses de pesquisadores do fenômeno, como o cientista político Steven Levitsky, autor de “Como as Democracias Morrem”, que analisa como líderes autoritários chegam ao poder por vias democráticas para desfazê‑las por dentro.

Renan Santos encerrou seu discurso reforçando que, embora reconheça a tentativa de golpe de Jair Bolsonaro, ele acredita que o atual cenário institucional impede que Flávio Bolsonaro promova uma ruptura, mantendo, segundo ele, a democracia “pura e simples” em funcionamento.

Com informacoes de VEJA.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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