Polícia indiana prende mais de 2 mil manifestantes em protestos contra cancelamento de títulos de eleitor
Uma revisão dos cadastros eleitorais realizada no ano passado resultou no cancelamento de aproximadamente 130 milhões de títulos de eleitor na Índia, sob a justificativa oficial de atualização dos registros.
Grupos de oposição e diversos manifestantes alegam que a Comissão Eleitoral anulou registros válidos com o objetivo de beneficiar o partido governista BJP, liderado por Narendra Modi, que está no poder há 12 anos. A própria Comissão nega qualquer irregularidade no processo.
Os protestos são organizados pelo movimento autodenominado “Partido das Baratas”, criado por jovens depois que integrantes do governo passaram a chamar os desempregados de “baratas” no início do ano. O mesmo grupo havia tomado as ruas em junho para reivindicar mudanças no sistema de educação e denunciar fraudes no vestibular mais concorrido do país, o que culminou na renúncia do então ministro da Educação.
Na manhã de sábado, a polícia indiana mobilizou milhares de agentes de segurança, desativou estações de metrô, ergueu barricadas e fechou diversas ruas em Nova Déli. Impedidos de se reunir, os manifestantes se dispersaram pela capital. Em Mumbai, medidas semelhantes foram adotadas para conter as manifestações.
De acordo com a agência Reuters e a imprensa indiana, as forças de segurança prenderam mais de 2 mil pessoas nas duas cidades. O fundador do Partido das Baratas, Abhijeet Dipke, e outros dois líderes foram detidos ao desembarcar no aeroporto de Nova Déli. Em vídeo divulgado, Dipke aparece sendo escoltado para fora de um avião enquanto grita que não tem medo do governo.
Uma mulher que foi abordada pela polícia declarou, pouco antes de ser presa, que o grupo não está contra um político ou partido específico, mas contra “medidas equivocadas” que violaram seu direito ao voto.
Os manifestantes exigem a abertura de uma investigação sobre a Comissão Eleitoral e a saída do chefe do órgão, alegando que a anulação de títulos comprometeu a integridade do processo democrático.
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Com informacoes de G1.

