Plataforma chinesa LOGINK, que rastreava navios, perde apoio internacional e entra em crise jurídica

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 05/10/2026 13:49
Plataforma chinesa LOGINK, que rastreava navios, perde apoio internacional e entra em crise jurídica

Foto: Olhar Digital

A LOGINK, plataforma chinesa criada há cerca de duas décadas na província de Zhejiang, foi concebida para integrar dados de portos, caminhões e fornecedores em uma única rede de rastreamento de cargas. O projeto recebeu apoio de Pequim e passou ao controle do Ministério dos Transportes chinês, atraindo atenção de Washington.

Em 2022, parlamentares americanos intensificaram a pressão contra a plataforma, temendo que a LOGINK pudesse permitir acesso a informações comerciais não públicas, como volumes e preços de mercadorias, além de possibilitar o monitoramento de cargas militares transportadas por redes comerciais. A LOGINK contestou essas avaliações, e em 2024 seu representante Li Zhao afirmou que a plataforma não tinha “capacidade para coletar informações comerciais sensíveis ou monitorar continuamente os movimentos globais de cargas”.

Parcerias internacionais começaram a desaparecer. A cooperação com Japão e Coreia do Sul foi interrompida quando a China cancelou uma reunião prevista para março de 2024, citando “circunstâncias internas”. Desde então, não houve novos encontros. O Japão perdeu acesso aos dados da LOGINK e, segundo um funcionário do governo, não conseguiu mais contato com os interlocutores chineses. Na Europa, acordos tiveram destino semelhante: um memorando assinado em 2017 com o porto de Sines, em Portugal, não produziu resultados significativos; em Rotterdam, na Holanda, as discussões iniciadas em 2019 ficaram restritas à fase exploratória.

Ao mesmo tempo, a estrutura responsável pela LOGINK em Wenzhou acumulou problemas jurídicos: pelo menos 39 processos registrados desde janeiro de 2024, envolvendo disputas trabalhistas, cobranças por serviços e contas não pagas, uma disputa contratual movida por uma subsidiária da China Mobile em 2025, e uma ação relacionada ao aluguel do imóvel onde funcionava a estrutura. Os processos somavam cerca de US$ 1,3 milhão (aproximadamente R$ 6,5 milhão).

Em setembro de 2026, a Reuters visitou o endereço e encontrou as instalações aparentemente abandonadas: as luzes estavam apagadas, a recepção vazia e os cabos dos computadores haviam sido retirados. No entanto, a LOGINK não foi oficialmente encerrada. Em junho de 2026, o Ministério dos Transportes chinês publicou um documento defendendo a conexão do sistema a mais fontes de dados domésticas.

O cenário não indica que a LOGINK tenha sido oficialmente encerrada, mas a retração internacional ocorreu no mesmo período em que Washington intensificou sua oposição ao sistema. Um porta‑voz do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos não permitiriam que uma plataforma controlada por Pequim “ganhasse controle sobre os dados marítimos globais”.

Como já mostramos em 21/09, Washington intensificou sua oposição a tecnologias chinesas, e agora a LOGINK sofre o mesmo destino, refletindo a crescente tensão entre os dois países sobre controle de dados e segurança nacional.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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