Ministro afirma que queimadas no Amazonas são "mais graves do que imaginava" após sobrevoo da comitiva federal

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/10/2026 23:00
Ministro afirma que queimadas no Amazonas são "mais graves do que imaginava" após sobrevoo da comitiva federal

Foto: via G1

Uma comitiva federal sobrevoou áreas atingidas por incêndios no Amazonas neste domingo (11), constatando que o quadro era mais grave do que o previsto pelas autoridades.

A decolagem da aeronave da comitiva, inicialmente programada para o início da manhã, sofreu atraso temporário devido à densa camada de fumaça sobre Manaus, que comprometeu a visibilidade e o teto operacional na capital.

Durante entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus (BAMN), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, declarou que "identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada, não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta; vimos focos no meio da floresta preservada, inúmeros focos".

Com a melhora das condições aeroviárias, a equipe realizou um sobrevoo de monitoramento na região de Autazes e, em seguida, concedeu entrevista coletiva na BAMN para apresentar balanço atualizado do combate às queimadas e detalhar o envio de novos recursos ao estado.

Capobianco destacou que a presença de pontos de fogo isolados em áreas preservadas e de difícil acesso indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar o terreno para futuro desmatamento, e fez apelo para que o Governo do Estado empenhe a Polícia Militar ao lado do Corpo de Bombeiros no combate e na identificação dos infratores, alertando que "é fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminalmente vejam que serão punidos".

A comitiva contou com a participação do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; do secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; do governador do Amazonas, Roberto Cidade; do presidente do Ibama, Jair Schmitt; e do secretário Nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff.

Antes de irem a campo, os representantes do governo visitaram o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e participaram de reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para alinhar as ações emergenciais de resposta à crise ambiental.

Para conter o avanço das chamas, o Governo Federal confirmou a mobilização de uma frota de 11 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor, que realizam lançamentos de água nas áreas afetadas, e duas aeronaves C‑390, que passaram a operar na segunda‑feira (12).

Capobianco garantiu que o efetivo permanecerá no estado "até apagar os focos de incêndio que estão causando dano à população de Manaus".

Uma força‑tarefa do governo de São Paulo embarcou neste domingo (11) para apoiar o combate aos incêndios florestais no Amazonas, reunindo 30 profissionais — 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil estadual — que levarão drones, equipamentos especializados e 11 mil litros de retardante.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os profissionais atuarão em conjunto com as equipes locais, concentrando o trabalho no combate direto às chamas, na contenção da propagação do fogo e na proteção de áreas ameaçadas.

O atraso na decolagem refletiu a forte poluição provocada pelos incêndios; por quatro dias consecutivos, Manaus amanheceu encoberta por densa fumaça. Sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram qualidade do ar "péssima" na capital e em outros cinco municípios da Região Metropolitana, com índices de concentração de partículas chegando a 301,2 µg/m³ no município de Careiro.

Diante dos riscos à saúde, a Defesa Civil emitiu alerta severo orientando o uso de máscaras e a restrição de exposição ao ar livre, enquanto a Prefeitura de Manaus suspendeu todas as atividades e eventos públicos ao ar livre agendados para este domingo e para a segunda‑feira (12). A Secretaria de Estado de Saúde (SES‑AM) registrou a situação de saúde da população em decorrência da poluição.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

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