Milton Leite é alvo da Operação Vectura Corrupta contra infiltração do PCC no transporte público de SP
A Polícia Civil de São Paulo considera foragido o ex‑vereador e ex‑presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil), alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta‑feira, 17 de setembro, contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo.
Ao chegar à residência de Milton Leite, os policiais não o encontraram; diante das circunstâncias observadas no imóvel, a corporação passou a considerá‑lo foragido. Segundo informações obtidas, ele permaneceu em casa até a tarde de quarta‑feira, 16 de setembro, quando uma funcionária informou que ele saiu à noite para um compromisso de campanha. As equipes permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.
Na mesma operação foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex‑presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex‑candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. Ao todo, a ação busca executar 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
As investigações apontam que decisões estratégicas de empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependiam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. Essa conclusão foi sustentada por análises de interceptações envolvendo operadores e por elementos de outras investigações relacionadas ao papel decisório do ex‑vereador. No pedido que embasou a operação, Milton Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção. O documento também menciona declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff.
Milton Leite encerrou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador e quatro como presidente da Câmara Municipal. Atualmente, ocupa a presidência do União Brasil na cidade de São Paulo e, em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
A Operação Vectura Corrupta está sendo conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público de São Paulo. Entre os detidos está Levi dos Santos Oliveira; embora não apareça como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, os dois mantiveram encontros periódicos para tratar de interesses da facção ligados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024.
Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e teve o registro de candidatura a deputado estadual cassado, também foi preso nesta quinta‑feira. Ele já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. A Polícia Civil afirma que a nova fase da investigação identificou um forte vínculo dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.
A investigação identificou doze empresas de transporte coletivo de passageiros que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes. Parte dessas companhias já apareceu em investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público sobre a atuação do PCC no setor. A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha, e seu então presidente, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, foi preso sob suspeita de vínculos com a facção.
A investigação da Vectura Corrupta também destaca que Alfa Rodobus e Sancetur assumiram operações anteriormente realizadas por Transwolff e UpBus após a operação de 2024. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontam para uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital, com atuação de integrantes e intermediários do PCC em empresas e procedimentos licitatórios.
Com informacoes de G1.

