Lobista Roberta Luchsinger recebe portaria que eleva em R$77 milhões os repasses federais de saúde para Goiânia
A lobista Roberta Luchsinger se colocou à disposição para impulsionar os repasses federais destinados à saúde de Goiânia. Seis meses depois, Swedenberger Barbosa, então secretário‑executivo da pasta, enviou a ela a portaria que elevou o teto de transferências para a prefeitura em R$77 milhões, conforme mensagens de celular analisadas pelo Metrópoles.
O envio da portaria ocorreu após um encontro entre Luchsinger e Barbosa, exatamente 17 minutos depois de o documento ter sido assinado pela ministra da Saúde da época, Nísia Trindade.
O aumento foi realizado durante a gestão do prefeito Rogério Cruz, filiado ao Solidariedade e ex‑membro dos Republicanos. Atualmente, o município é comandado por Sandro Mabel, do União.
A prefeitura de Goiânia não ofereceu esclarecimentos, mesmo após ser contatada por dois dias consecutivos.
Investigações do Metrópoles revelam que a lobista recebia comissões por prestar assessoria a clientes governamentais, incluindo a própria prefeitura de Goiânia e o governo do estado do Maranhão. Não há registro formal de contrato entre Luchsinger e os entes públicos; os pagamentos eram feitos, em alguns casos, por empresários fornecedores ao governo, como o empreiteiro Eduardo "DP" Barros, que já havia sido denunciado no escândalo do orçamento secreto.
O Ministério da Saúde justificou a ampliação do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) alegando que os recursos estavam represados há anos e que era necessário reforçar a assistência hospitalar. Segundo o órgão, o aumento de verbas foi aplicado em todas as capitais e estados do país sem distinção, embora Goiânia não tenha figurado entre as cidades que receberam os maiores acréscimos.
No domingo, 27 de setembro, o Metrópoles solicitou entrevista a Swedenberger Barbosa. Em resposta, o secretário‑executivo reiterou nota divulgada no dia anterior, afirmando que as transferências de recursos a estados e municípios seguiram critérios técnicos e legais, com o mesmo trâmite para todos os entes da Federação.
Antes do aumento, Goiânia possuía um limite de R$279 milhões para repasses. Em conversa com o então secretário‑executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia, Quesede Ayres Henrique, Roberta Luchsinger buscava mais recursos federais, pois o saldo disponível estava próximo do fim.
Em 18 de outubro de 2023, Luchsinger solicitou a Ayres Henrique os valores dos tetos de repasse da modalidade MAC e do Piso de Atenção Primária (PAP). O servidor informou que havia um saldo de R$175 milhões disponível para MAC e outros R$104 milhões para PAP, conforme foto divulgada na reportagem.
Andreza Matais Luchsinger, irmã de Roberta, recebeu R$570 mil ao intermediar um empréstimo de Goiânia junto ao Tesouro e também obteve uma comissão de R$6 milhões ao mediar verbas para o Maranhão. A mesma Andreza foi citada em relatos que apontam pagamentos a Fábio, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em troca de favores.
Em dezembro de 2023, Roberta solicitou a Swedenberger Barbosa uma reunião com Wilson Pollara, então secretário de Saúde de Goiânia e superior hierárquico de Quesede. O secretário‑executivo afirmou que precisava de uma conversa presencial e séria antes da reunião, mas não há confirmação de que o encontro ocorreu.
No dia 30 de abril de 2024, Roberta informou a Barbosa que estava a caminho de Brasília e levaria uma "lembrancinha". O secretário‑executivo respondeu que também desejava encontrá‑la para "atualizar conversas". Em mensagens obtidas, a lobista alegou ter oferecido uma série de presentes a assessores do presidente Lula, embora Barbosa negue ter recebido tais itens.
Roberta chegou a Brasília às 15h50, acompanhada de "Fábio" – ela se apresentava como sócia do filho primogênito do presidente. O encontro culminou na assinatura da portaria que elevou em R$77 milhões o teto de repasses federais de saúde para Goiânia.
Com informacoes de Metrópoles.

