Jovem colombiana pede eutanásia após anos de sofrimento sem diagnóstico de endometriose

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 22/09/2026 13:00
Jovem colombiana pede eutanásia após anos de sofrimento sem diagnóstico de endometriose

Foto: via Folha de S.Paulo

Melisa Gaona, 26 anos, nascida em Bogotá, convive desde a infância com endometriose, doença inflamatória crônica em que tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele.

No caso de Melisa, a doença chegou ao estágio mais grave, comprometendo órgãos e sua rotina, ao ponto de ela afirmar que dói comer, andar, evacuar e urinar, e que "isso já não é normal".

Em diversas ocasiões, ao chegar a pronto‑socorro dobrada de dor, o médico informou que não se tratava de "urgência vital" e a mandou de volta para casa; em outro momento, ao insistir que a dor era insuportável, um profissional respondeu que, se ela queria morrer, que se matasse.

Após anos de cirurgias, medicamentos e internações sem alívio duradouro, em 2025 Melisa tomou a decisão de formalizar um pedido de eutanásia enquanto estava internada.

Ela relata que mal sabia o que a palavra eutanásia significava, mas escreveu o pedido sob a única premissa de que não sentia estar vivendo com dignidade, explicando em entrevista à BBC News Brasil que "não porque eu não quisesse a vida, mas porque eu não queria continuar sofrendo com a dor" e que o pedido veio mais do desejo de não sentir mais dor.

Na mesma época, a jovem gravou um vídeo que viralizou, afirmando estar presa em uma espiral de sofrimento; tornar tudo público foi a forma que encontrou de ser levada a sério, segundo ela.

A exposição trouxe um custo: passou a receber mensagens de estranhos mandando que se matasse, e ela ouviu muitas vezes que não tinha dignidade, questionando "Mas o que é dignidade? Eu tenho dignidade porque sei o que é sentir dor. É o momento em que a gente diz: 'já não aguento mais'."

Com acompanhamento jurídico do DescLAB — organização colombiana que litiga pelo direito à morte digna — Melisa levou o caso à Justiça por meio de uma ação de tutela, recurso utilizado no país pelos pacientes que têm o procedimento recusado.

Desde então, ela repete a frase: "Eu não quero morrer, quero parar de sentir dor." Para os médicos que tratam dor crônica, a frase indica menos um desejo primário de morte e mais o limite de uma pessoa que perdeu funcionalidade, autonomia, sono, trabalho, vínculos e esperança de melhora, segundo o neurocirurgião Pedro Henrique Cunha.

A legislação colombiana exige sofrimento irreversível para autorizar a eutanásia; o caso de Melisa amplia a discussão sobre morte digna e acesso real à saúde no país.

A endometriose não é uma doença incomum: segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva convivem com ela no mundo, aproximadamente uma em cada dez. Ainda assim, o caminho até o diagnóstico é longo, conforme apontam estudos reunidos por publicações como o New England Journal of Medicine.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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