Imagens revelam destruição em bases americanas no Oriente Médio após ataques do Irã

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 19/09/2026 01:40
Imagens revelam destruição em bases americanas no Oriente Médio após ataques do Irã

Foto: via G1

A rede de TV americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, recebeu imagens que exibem danos extensos em diversas instalações militares dos EUA no Oriente Médio, atribuídos a ataques do Irã. As fotografias foram entregues por militares em serviço ativo e mostram um avião‑radar destruído, trailers arrasados e edificações gravemente comprometidas. Não há data nas imagens, que foram capturadas em bases situadas na Arábia Saudita e no Kuwait.

Um membro não identificado das Forças Armadas americanas declarou à CBS que "estes são danos importantes às nossas bases que não foram comunicados ao público americano" e acrescentou: "Estávamos ali, com os olhos fechados, sendo diretamente atacados".

A Casa Branca foi consultada e orientou a BBC a contatar o Comando Central dos Estados Unidos, que não respondeu ao pedido de comentários antes da publicação desta reportagem. A BBC não realizou verificação independente das fotografias.

As imagens foram divulgadas um dia após um relatório do órgão fiscalizador do Pentágono confirmar que o Irã danificou e destruiu centenas de construções e estruturas em bases americanas no Oriente Médio.

Uma das fotos mostra um Boeing E‑3 Sentry destruído na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. A aeronave está partida ao meio, com a cauda transformada em um emaranhado de metal. Embora sem data, a BBC Verify havia autenticado anteriormente uma imagem semelhante, aparentemente do mesmo avião‑radar, em março deste ano.

Os sistemas aéreos de alerta e controle (AWACS) Boeing E‑3 são empregados para detectar e rastrear alvos a longa distância, fornecendo alerta precoce de ameaças. Na ocasião, uma autoridade dos Estados Unidos informou à Reuters que 12 militares americanos ficaram feridos em um ataque iraniano à base, dois deles com gravidade.

Duas imagens sem data, supostamente do acampamento Buehring, no Kuwait, exibem trailers amassados e uma grande estrutura em forma de tenda em pedaços, com fumaça subindo no local. Outra foto mostra um edifício de quatro andares atingido por um ataque iraniano ao acampamento Arifjan, também no Kuwait. Danos ao local foram relatados em março e incluíram equipamentos de comunicação via satélite, embora não se saiba ao certo se a imagem corresponde ao mesmo ataque.

Brian Katulis, que atuou no setor de segurança nacional em governos democratas e republicanos e atualmente é pesquisador sênior do Instituto do Oriente Médio, afirmou que os danos visíveis nas imagens demonstram que os Estados Unidos "não prepararam adequadamente suas defesas". Ele acrescentou que há fortes evidências de que adversários americanos, como a China e a Rússia, podem ter auxiliado o Irã nos ataques, e que o governo Trump "não fez nada para enfrentar estas vulnerabilidades".

O relatório do órgão fiscalizador do Pentágono, divulgado pouco antes das imagens, concluiu que ataques iranianos "danificaram e destruíram centenas de construções e estruturas em bases dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia durante o conflito". O documento quantificou as perdas de equipamentos em US$ 3,7 bilhão (cerca de R$ 19 bilhão) e informou que o gasto total dos EUA com a guerra chegou a US$ 33,4 bilhão (cerca de R$ 172 bilhão) até 29 de junho.

Nos meses subsequentes ao início da guerra, "dezenas de aeronaves americanas foram destruídas ou danificadas", segundo o relatório, que lista, entre outras, cinco aviões de reabastecimento danificados ou destruídos em solo na Arábia Saudita por munições iranianas.

Um outro relatório do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO) apontou que o avião E‑3 não está mais em produção e precisaria ser substituído por um modelo mais moderno, o E‑7. O CBO estimou o custo de um único E‑3 em US$ 500 milhão (cerca de R$ 2,6 bilhão) e avaliou o valor total dos equipamentos perdidos em combate — incluindo aviões, drones e um sistema de defesa aérea de alta altitude — em US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhão). O órgão alertou que sua análise contém incertezas, pois o Departamento de Defesa não respondeu aos pedidos de informações, obrigando o CBO a recorrer a bancos de dados governamentais e relatórios públicos. A extensão dos reparos e da reconstrução planejada pelas Forças Armadas ainda é incerta.

Katulis concluiu que, embora os custos financeiros demonstrem como o governo Trump "queimou recursos militares preciosos sem muito a mostrar", o maior prejuízo recaiu sobre a prontidão militar americana como um todo. Ele ressaltou que os Estados Unidos tiveram de desviar equipamentos da Ásia para o Oriente Médio, deixando o país e seus parceiros asiáticos mais expostos e vulneráveis à China.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

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