Idosa de 70 anos é despejada em Madri após aluguel subir 275% e gera protestos nacionais
Maricarmen vive no mesmo apartamento em Madri desde 1956, quando seu pai assinou o contrato de aluguel; após a morte dos pais, ela assumiu o contrato nas mesmas condições.
Em 2018 o prédio mudou de proprietário, passando para a Urbagestión Desarrollo e Inversión SL, empresa imobiliária que alegou que o contrato não poderia ser reassumido e exigiu um aumento de 275%, elevando o aluguel para €1.650 mensais, frente aos aproximadamente €500 que a idosa pagava.
Com uma aposentadoria de €1.350, o novo valor tornou-se insustentável; Maricarmen continuou pagando €500 por mês e nunca deixou de honrar o aluguel.
Um doador anônimo ofereceu cobrir a diferença necessária para o novo valor, mas a Urbagestión recusou a proposta, segundo a advogada da empresa, Beatriz Duro.
A primeira tentativa de despejo ocorreu em outubro de 2025, mas vizinhos impediram a execução. Uma segunda tentativa foi agendada para 3 de junho de 2026 e também foi adiada, assim como uma terceira, prevista para 24 de junho.
O Comitê da ONU solicitou a suspensão do processo até que as autoridades garantissem moradia alternativa a Maricarmen; o pedido foi ignorado por um tribunal de Madri, conforme o Sindicato dos Inquilinos.
O despejo definitivo foi marcado para 23 de setembro; a partir das 7h30 as autoridades isolaram a área, e por volta das 10h45 (horário de Madri) agentes chegaram ao prédio, usando spray de pimenta contra quem tentava impedir a entrada.
Às 13h05, Maricarmen foi retirada em maca e levada de ambulância ao hospital devido à saúde debilitada; ainda não se sabe onde residirá a partir de então.
O caso mobilizou artistas e figuras públicas espanholas, como Rozalén, Ismael Serrano, Juan Diego Botto, Facu Díaz e Alberto San Juan, que participaram de manifestações organizadas pelo Sindicato dos Inquilinos em frente ao apartamento.
O primeiro‑ministro Pedro Sánchez condenou o despejo, chamando‑o de “tragédia”, e ativistas interromperam um evento com o Ministro da Habitação para exigir solução.
Em junho, a Urbagestión apresentou denúncia criminal contra o Sindicato dos Inquilinos e sua porta‑voz Valeria Racu, acusando‑os de coação e difamação, alegando que a ação respondia a meses de reivindicações por alternativa ao despejo.
O episódio tem alimentado o debate público sobre fundos de investimento e habitação para idosos na Espanha, com diversas vozes exigindo que os governos nacional e municipal responsabilizem a empresa para evitar novas situações semelhantes.
Maricarmen expressou tristeza à imprensa espanhola por ter que deixar a casa onde viveu décadas, agradecendo vizinhos e grupos que tentaram impedir o despejo.
Com informacoes de O GLOBO.

