Futebol inglês elimina patrocínio de casas de apostas; Brasil debate proibição similar

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/09/2026 13:20
Futebol inglês elimina patrocínio de casas de apostas; Brasil debate proibição similar

Foto: via UOL

A iniciativa que limitou a presença de casas de apostas nos uniformes dos clubes ingleses foi tomada em abril de 2023, quando as próprias equipes decidiram conceder um período de três anos para adaptação à nova regra.

O prazo de transição se encerrou entre o final da temporada passada e o início da atual, levando a maioria dos times que antes tinham apostas como patrocinadores principais a buscar alternativas em outros segmentos. Entre os clubes que substituíram o patrocínio de betting estão Aston Villa, Bournemouth, Brentford, Crystal Palace, Everton, Fulham, Nottingham Forest e Sunderland.

Dessa lista, apenas o Sunderland permanece sem contrato máster. Até a temporada anterior, o clube era patrocinado pela operadora W88, mas ainda não encontrou nova marca para assumir o espaço.

No Brasil, a discussão sobre a restrição de apostas segue no âmbito legislativo. Projetos recentes, como o PL 2.470/2026, foram apresentados por parlamentares, e o presidente Lula (PT) reafirmou, na última semana, seu interesse em vetar as casas de apostas no país.

Os clubes brasileiros reagiram de forma unânime, alegando que a medida poderia representar “o fim do futebol brasileiro”. Atualmente, um terço das receitas comerciais da elite do futebol nacional provém de patrocínios de betting, equivalendo a R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,06 bilhões arrecadados por esse tipo de contrato, o que indica um impacto significativo caso haja proibição.

Especialistas consultados pelo UOL apontam que, embora a transição seja viável, o caminho no Brasil seria mais complexo e dependeria fortemente de intervenções estatais. Cesar Grafietti, economista e consultor de gestão e finanças do esporte, ressalta que a comparação com a Premier League tem limites: “Na Inglaterra o volume de dinheiro das bets não era tão expressivo quanto aqui, e a decisão partiu dos próprios clubes.” Ele acrescenta que, no Brasil, dificilmente grandes clubes como o Flamengo, que fatura mais de R$ 200 milhões, liderariam um pedido de proibição; a iniciativa teria que partir do Legislativo, possivelmente por meio de medida provisória.

Grafietti ainda defende uma retirada gradual, lembrando que o mercado de apostas foi regulamentado no Brasil há apenas dois anos, e as empresas já contribuem com tributos. Um corte imediato seria pouco provável.

Amir Somoggi, sócio‑fundador da Sports Value e especialista em marketing esportivo, defende a eliminação total das apostas, mas critica o uso da Premier League como referência, afirmando que “eles não retiraram as bets, apenas removeram o logo da frente da camisa”. Ele reconhece o impacto financeiro inicial, mas acredita que outros setores – como planos de saúde, bancos, varejo, alimentos, bebidas e bem‑estar – podem preencher a lacuna, citando o exemplo da Espanha, onde a receita de patrocínio caiu 30 % após restrições, mas foi compensada por novos anunciantes.

Com informacoes de UOL.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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