Fazenda São Pedro da Mantiqueira vira sumidouro de carbono e demonstra lucro sustentável

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/09/2026 12:00
Fazenda São Pedro da Mantiqueira vira sumidouro de carbono e demonstra lucro sustentável

Foto: via Globo Rural

Na Fazenda São Pedro da Mantiqueira, situada em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, a conta do carbono fecha no negativo: a propriedade sequestra mais do que emite, configurando-se como um sumidouro de gases de efeito estufa.

O inventário oficial, elaborado pela pesquisadora Susian Christian Martins – mestre em ciência do solo e nutrição vegetal e doutora em ciências – seguiu o GHG Protocol Agropecuário e foi auditado de forma independente pela KPMG. O cálculo compara, lado a lado, tudo o que a fazenda emite (diesel, fermentação do gado, fertilizantes, energia elétrica) e tudo o que retira do ar e armazena no solo, sobretudo o carbono empurrado pelas raízes das plantas.

Para mensurar as emissões, o procedimento é relativamente simples: contabiliza‑se o consumo de diesel, o número de cabeças de gado e a quantidade de adubo aplicada. Já a medição da remoção de carbono no solo exige o uso de níveis de precisão definidos pelo IPCC, conhecidos como tiers, que vão de estimativas genéricas a medições diretas.

Tier 2 – Fatores Nacionais: utiliza fatores de remoção padronizados, ajustados ao bioma e às condições brasileiras, sendo a abordagem mais conservadora e baseada em valores de tabela sem medição direta da propriedade.

Tier 3 – Fatores Locais: substitui a tabela por parâmetros calibrados para a região e para a própria fazenda, empregando modelagem detalhada do estoque de carbono e capturando melhor o efeito real do manejo do solo.

Tier 3 Métrico – Medição Direta: considerado o padrão ouro, mede fisicamente o carbono em amostras de solo coletadas no campo por análise laboratorial (CHN), oferecendo o retrato mais fiel do que realmente está armazenado no solo.

Quanto maior a proporção de dados obtidos por medição própria da fazenda e menor a dependência de fatores genéricos, maior é o sequestro reconhecido. Os parâmetros das tabelas padrão são conservadores e não conseguem considerar o impacto positivo do Sistema Regenerativo Integrado Roncador, que, por melhorar o ecossistema, captura mais carbono no solo do que o manejo convencional.

Além do estoque permanente, a fazenda também contabiliza o carbono efêmero – o fluxo de carbono que atravessa a propriedade ao longo de um ano, sendo fixado pelas plantas e, em grande parte, devolvido rapidamente à atmosfera. Esse carbono temporário deve ser registrado com rigor, contando apenas o que efetivamente se torna estoque temporário e descontando o que é respirado pelos microrganismos, pelos animais ou já contabilizado como metano.

Na pecuária, a lógica é que, de cada porção de carbono ingerida pelos animais, a maior parte é respirada de volta ou convertida em metano, já contabilizado separadamente; apenas uma fração permanece como estoque temporário –

A regra dos 30 centímetros de profundidade, citada na análise, refere‑se ao limite de profundidade do solo considerado para a medição de carbono. Essa norma origina‑se de diretrizes técnicas que estabelecem que a maior parte do carbono orgânico está concentrada nos primeiros 30 cm do perfil do solo, sendo esse o horizonte analisado em avaliações padrão.

Com informacoes de Globo Rural.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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