Estagiária viraliza ao perceber demissão ao perder acessos digitais; advogada explica limites legais

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/10/2026 09:40
Estagiária viraliza ao perceber demissão ao perder acessos digitais; advogada explica limites legais

Foto: via Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Lavínia Faust, estudante de Design, alcançou mais de 1,1 milhão de visualizações ao publicar um vídeo no qual descreve o momento em que percebeu que seria demitida ao perder acesso a ferramentas corporativas.

No início da gravação, Faust manifesta a sensação de que a demissão ocorreria assim que entrasse em contato com o chefe. A suspeita surgiu ao tentar agendar uma publicação e constatar que havia sido desconectada da conta da empresa no Meta. Ela inicialmente considerou o ocorrido normal, mas, ao tentar recuperar uma senha salva em uma pasta do Google Drive, percebeu que também havia perdido o acesso ao serviço, o que a fez afirmar que algo estava errado.

Após a reunião com o gestor, Faust retorna à gravação deitada em uma almofada e confirma a demissão, dizendo: "Quem adivinha o que aconteceu? Fui demitida".

O relato gerou forte identificação nas redes sociais. Um comentário resumiu o desligamento com a frase "Promovida a cliente"; outro comparou a forma como a demissão costuma ser anunciada em diferentes plataformas: "TikTok: fui demitida. LinkedIn: ciclos se encerram, novas trajetórias se abrem, mas carrego comigo o aprendizado e a amizade que fiz nesse tempo". Usuários também comentaram sobre a reação de Faust, como "Ela rindo pra não chorar e segurando o choro", e um interno se identificou com o ato de desligar acessos: "Eu sendo o cara que desliga os acessos da galera sabendo da demissão 🥲".

Em vídeo posterior, Faust responde a perguntas sobre o motivo da demissão. Segundo a empresa, o desligamento ocorreu por desalinhamento entre o perfil profissional dela e o que a organização buscava, afirmando que procuravam um perfil diferente. Faust esclarece que era estagiária cumprindo estágio obrigatório da faculdade, com contrato previsto para terminar no mês seguinte. Durante o estágio, acumulou funções de marketing, design, social media, produção de vídeos, gestão de site, tráfego pago e cobertura de eventos e feiras, além de ter recebido um sinal da gestão sobre a necessidade de maior dedicação ao trabalho. Apesar da demissão, ela já buscava outras oportunidades e não pretendia renovar o vínculo de estágio.

No terceiro vídeo, a jovem aproveita a repercussão para apresentar sua trajetória profissional. Além da graduação em Design, mantém o Studio Accos, empresa de marketing criada há cerca de dois anos. O Studio conta com duas colaboradoras e oferece serviços de gestão de redes sociais, planejamento de conteúdo, captação de vídeos e produção de eventos, sendo uma atividade paralela ao trabalho como CLT e ao estágio.

Quanto ao aspecto jurídico, a advogada especialista em Prevenção de Riscos Trabalhistas, Flavia Derra Eadi de Castro, esclarece que o bloqueio de acessos a ferramentas corporativas, como Meta e Google Drive, antes da comunicação formal da demissão não caracteriza assédio moral por si só. A empresa pode restringir o acesso para proteger informações e dados corporativos, mas o problema reside na forma como a medida é adotada. Se o bloqueio for acompanhado de exposição, constrangimento ou isolamento do trabalhador, pode assumir outra dimensão jurídica. A especialista ainda ressalta a diferença entre contas corporativas e pessoais, indicando que empresas têm o direito de desativar contas corporativas sem violar a legislação.

O caso de Lavínia Faust evidencia como a perda de acessos digitais pode antecipar um desligamento e gerar amplo debate sobre as práticas de demissão remota, ao mesmo tempo em que destaca a importância de entender os limites legais dessas ações.

Com informacoes de Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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