El Niño deve amplificar eventos extremos nos próximos meses
Previsões baseadas em eventos históricos apontam para um aumento de enchentes, secas, tufões e branqueamento de corais em diferentes regiões do planeta nas próximas semanas.
Tim Stockdale, meteorologista do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, destaca que a atmosfera apresenta maior umidade e o sistema climático está mais energizado.
No início de outubro, nenhum furacão de plena intensidade se formou no Oceano Atlântico durante o ano, um fato que não ocorria há mais de um século.
Segundo ele, as alterações na circulação vinculadas ao El Niño tendem a intensificar os ventos em altitudes elevadas e a enfraquecer os ventos próximos à superfície sobre o Atlântico, gerando cisalhamento que desorganiza a formação de furacões.
Nick Dunstone, do Met Office britânico, acrescenta que esses sistemas são desfeitos enquanto ainda estão se desenvolvendo.
No Pacífico, o efeito é oposto: ventos mais fracos reduzem o cisalhamento e favorecem a formação de tufões.
Com o centro de ascensão do ar deslocado para leste, as tempestades percorrem maiores distâncias, absorvendo mais calor e umidade antes de alcançar o continente.
Quase duas dezenas de tufões atingiram o leste asiático no outono durante os três super El Niños anteriores.
Em outubro de 2015, o super tufão Koppu destruiu milhares de edificações e causou a morte de ao menos 47 pessoas nas Filipinas.
Este ano, tufões já impactaram Filipinas e Japão, e novos eventos são esperados à medida que as temperaturas da superfície do mar continuam a subir.
Novembro e dezembro trazem risco de enchentes, secas e surtos de doenças na África.
O norte e o leste da Etiópia registraram quebras de safra, enquanto o Sudão do Sul está à beira da fome após uma das estações chuvosas mais secas já registradas entre junho e setembro, situação associada ao El Niño.
Com o fortalecimento do fenômeno ao longo do outono e inverno no hemisfério norte, prevê‑se chuvas intensas e enchentes repentinas no sul da Etiópia, no Quênia e na Somália.
Enchentes mataram quase 3 mil habitantes no leste africano durante o El Niño de 1997 e 700 pessoas no evento de 2023.
Ao mesmo tempo, a previsão indica níveis de precipitação os mais baixos em 75 anos em países como Maláui, Zâmbia e Zimbábue no fim do outono e no inverno.
O cenário ameaça uma quebra na safra de milho ainda pior que a do super El Niño de 2015‑16, período em que dezenas de milhões de habitantes passaram fome e centenas de milhares de cabeças de gado morreram.
Apesar desses riscos, Estados Unidos, Reino Unido e outras nações de alta renda reduziram seus orçamentos de ajuda externa nos últimos anos.
As Nações Unidas destinam US$ 100 milhões (R$ 540 milhões) a áreas de alto risco como medida emergencial, mas conseguiram financiar apenas cerca de um terço do total necessário para os planos de resposta ao El Niño na Somália, no Sudão e no Sudão do Sul.
Ilan Kelman, do University College London, afirma que o clima não precisa significar desastre; os desastres ocorrem por falta de investimentos preventivos.
Janeiro e fevereiro apresentam risco de enchentes e deslizamentos nas Américas.
O Peru, local onde o fenômeno recebeu o nome, está entre os países mais vulneráveis.
Durante o super El Niño do início de 1998, chuvas intensas transformaram um deserto peruano em um lago, destruíram estradas e pontes no Equador e soterraram infraestruturas como uma mina de ouro na Bolívia, provocando a morte de centenas de pessoas.
Enchentes e doenças mataram mais de 9 mil peruanos no super El Niño de 1982‑83.
Em 2024, ao menos 52 habitantes morreram no país devido a enchentes e deslizamentos ligados ao chamado El Niño costeiro, fenômeno que ocorre quando as águas normalmente frias da costa peruana se aquecem, antecedendo o aquecimento mais amplo do Pacífico tropical.
Chuvas intensas frequentemente se estendem à América do Norte; a Califórnia, onde o nível do mar...
Com informacoes de CartaCapital.

