Dinastias em declínio: Calheiros, Barbalho, Motta e Alcolumbre enfrentam derrotas nas urnas de 2026
Em Alagoas, o ex‑presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e o ex‑prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC, PSDB), impuseram derrotas históricas à família Calheiros, que contava com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ciclo eleitoral.
Lira venceu o senador Renan Calheiros (MDB), que buscava o quinto mandato consecutivo na Casa, alcançando 28,9% dos votos válidos e ficando em primeiro lugar na disputa ao Senado. A segunda vaga foi conquistada por Marina JHC (PSDB), esposa do governador eleito, com 28,2% dos votos, enquanto Renan Calheiros obteve 22,2%.
No mesmo estado, JHC derrotou Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo estadual, obtendo 52,1% dos votos válidos contra 47,5% do adversário.
No Pará, o ex‑governador Helder Barbalho (MDB) não conseguiu eleger a aliada Hana Ghassan (MDB) ao Senado. A eleição para governador foi vencida por Dr. Daniel (Podemos), que marcou 51,5% dos votos válidos, enquanto a aliada de Barbalho ficou com 46,4%.
Apesar da derrota no Senado, o representante do clã Barbalho foi eleito com 26,1% dos votos válidos; a segunda vaga ficou com Chicão (União), que recebeu 22,4%.
Barbalho continua aliado do presidente Lula, mas a perda de sua candidata ao Senado evidencia o declínio da força política da família no estado.
Os presidentes das casas legislativas, Rodrigo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado), também viram seus aliados estaduais sofrerem derrotas, o que pode enfraquecer suas posições antes da reeleição interna prevista para fevereiro de 2027.
O pai de Motta, o ex‑prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), tentou uma vaga ao Senado, mas foi ultrapassado por Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que concorreu à reeleição, e pelo ex‑governador João Azevêdo (PSB). Azevêdo obteve 32,5% dos votos válidos, Veneziano 22,7% e Wanderley 21%.
Inicialmente, Motta planejava ser candidato ao Senado, mas a reviravolta na disputa pelo comando da Câmara em 2024 o elevou à sucessão de Arthur Lira, abrindo caminho para que seu pai concorrasse ao Senado. Wanderley não recebeu apoio formal de Lula, gerando reclamações de Motta nos bastidores; o presidente apoiou Veneziano e Azevêdo, e Motta e o senador trocaram críticas públicas.
No Amapá, Alcolumbre sofreu derrota dupla: o governador Clécio Luís (União Brasil) perdeu o comando do estado no primeiro turno para o ex‑prefeito Dr. Furlan (PSD), com 62,75% contra 36,97%; além disso, o senador Randolfe Rodrigues (PT), aliado de Alcolumbre que buscava reeleição, foi derrotado.
Alcolumbre, que não concorreu neste ano, ainda almeja a reeleição ao Senado em 2030, mas as recentes derrotas de seus aliados geram desgaste e aumentam a pressão da opinião pública sobre sua imagem e liderança.
- Aliados de Arthur Lira e Renan Calheiros são derrotados em eleições estaduais apesar das lideranças na Câmara e no Senado
- Pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley, perde a disputa e fica em terceiro no Senado da Paraíba
- Dr. Furlan (PSD) derrota grupo de Alcolumbre e é eleito governador do AP, projeta Datafolha
Com informacoes de O GLOBO.

