Cruel Games celebra 32 anos de história e mantém viva a memória do Brasil gamer
A Cruel Games, situada na Rua Alagoas, 384, no bairro Iguaçu, em Araucária (PR), comemora 32 anos de portas abertas, preservando um acervo visual que ilustra a era do aluguel de videogames por hora no Brasil.
Felipe recorda que, naquela época, consoles eram tão caros que a maioria das famílias não podia adquiri-los; o crédito ainda não era tão difundido e a disponibilidade de jogos era limitada, o que tornava a importação de consoles do Paraguai a alternativa mais viável, como o PlayStation original.
Segundo o proprietário, conhecido como Boy, a loja nasceu em 1994 dentro de sua própria casa. Ele economizou para importar um Super Nintendo do Paraguai e começou a alugá‑lo, cobrando apenas 50 centavos por hora. Com o tempo, a loja passou a abrigar vários Super Nintendos no mesmo espaço.
Com a chegada do PlayStation, as TVs de tubo foram substituídas por modelos maiores, a equipe se ampliou e o movimento de fim de semana aumentou, levando a loja a operar o maior número de horas possível.
Os jogos que marcaram a memória coletiva dos clientes incluem Street Fighter, Donkey Kong Country, Super Mario, Top Gear, Crash Bandicoot, Gran Turismo, Tony Hawk, Driver e Medal of Honor, todos citados por Pepe durante a visita.
As imagens divulgadas mostram fileiras de TVs sobre bancadas improvisadas, caixas de PlayStation empilhadas, garotos de chinelo segurando controles, adultos aguardando a vez, parede de azulejo ao fundo, caixa de cerveja e prateleiras repletas de cartuchos e capas.
Um salão lotado exibe um mural colorido com pôsteres variados e várias telas rodando simultaneamente jogos de futebol, recriando o ambiente que muitos reconheceram como ponto de encontro, local para marcar campeonatos e socializar, oferecendo uma alternativa mais tranquila que os fliperamas da época.
Além do aluguel, a loja também funcionou como lan house, organizando torneios de Counter‑Strike e vendendo coxinha, refrigerante e outros lanches enquanto os clientes esperavam a máquina ficar disponível.
Hoje, a Cruel Games se apresenta mais como uma loja de games e informática, mas continua celebrando sua história nas redes sociais, publicando fotos antigas, caixas guardadas e TBTs de PS2, TV de tubo e capas de King of Fighters.
Locadoras e lan houses com cobrança por hora foram comuns em grande parte da América Latina, África, Oriente Médio, China e Sudeste Asiático, mas são raras na América do Norte, Europa e Japão, caracterizando a cara do Brasil dos anos 90. Naquela época, era necessário levar o próprio memory card para salvar o progresso, e o cardápio da loja evoluiu de Sonic e Donkey Kong Country para King of Fighters e Crash Bandicoot, chegando à era das lan houses com Need for Speed Underground 2 ou GTA San Andreas.
O acervo da Cruel Games vai além de simples nostalgia; ele demonstra como funcionava o Brasil dos videogames nos anos 90, sem RGB, sem influenciadores, sem Metacritic, e revela a essência da cultura gamer que ainda persiste hoje, como já destacamos em nossas coberturas sobre o crescimento do mercado brasileiro.
Com informacoes de Arkade.

