Cruel Games celebra 32 anos de história e mantém viva a memória do Brasil gamer

Por Kaio Vinícius Rodrigues em Rio Verde, GO 20/09/2026 16:15
Cruel Games celebra 32 anos de história e mantém viva a memória do Brasil gamer

Foto: via Arkade

A Cruel Games, situada na Rua Alagoas, 384, no bairro Iguaçu, em Araucária (PR), comemora 32 anos de portas abertas, preservando um acervo visual que ilustra a era do aluguel de videogames por hora no Brasil.

Felipe recorda que, naquela época, consoles eram tão caros que a maioria das famílias não podia adquiri-los; o crédito ainda não era tão difundido e a disponibilidade de jogos era limitada, o que tornava a importação de consoles do Paraguai a alternativa mais viável, como o PlayStation original.

Segundo o proprietário, conhecido como Boy, a loja nasceu em 1994 dentro de sua própria casa. Ele economizou para importar um Super Nintendo do Paraguai e começou a alugá‑lo, cobrando apenas 50 centavos por hora. Com o tempo, a loja passou a abrigar vários Super Nintendos no mesmo espaço.

Com a chegada do PlayStation, as TVs de tubo foram substituídas por modelos maiores, a equipe se ampliou e o movimento de fim de semana aumentou, levando a loja a operar o maior número de horas possível.

Os jogos que marcaram a memória coletiva dos clientes incluem Street Fighter, Donkey Kong Country, Super Mario, Top Gear, Crash Bandicoot, Gran Turismo, Tony Hawk, Driver e Medal of Honor, todos citados por Pepe durante a visita.

As imagens divulgadas mostram fileiras de TVs sobre bancadas improvisadas, caixas de PlayStation empilhadas, garotos de chinelo segurando controles, adultos aguardando a vez, parede de azulejo ao fundo, caixa de cerveja e prateleiras repletas de cartuchos e capas.

Um salão lotado exibe um mural colorido com pôsteres variados e várias telas rodando simultaneamente jogos de futebol, recriando o ambiente que muitos reconheceram como ponto de encontro, local para marcar campeonatos e socializar, oferecendo uma alternativa mais tranquila que os fliperamas da época.

Além do aluguel, a loja também funcionou como lan house, organizando torneios de Counter‑Strike e vendendo coxinha, refrigerante e outros lanches enquanto os clientes esperavam a máquina ficar disponível.

Hoje, a Cruel Games se apresenta mais como uma loja de games e informática, mas continua celebrando sua história nas redes sociais, publicando fotos antigas, caixas guardadas e TBTs de PS2, TV de tubo e capas de King of Fighters.

Locadoras e lan houses com cobrança por hora foram comuns em grande parte da América Latina, África, Oriente Médio, China e Sudeste Asiático, mas são raras na América do Norte, Europa e Japão, caracterizando a cara do Brasil dos anos 90. Naquela época, era necessário levar o próprio memory card para salvar o progresso, e o cardápio da loja evoluiu de Sonic e Donkey Kong Country para King of Fighters e Crash Bandicoot, chegando à era das lan houses com Need for Speed Underground 2 ou GTA San Andreas.

O acervo da Cruel Games vai além de simples nostalgia; ele demonstra como funcionava o Brasil dos videogames nos anos 90, sem RGB, sem influenciadores, sem Metacritic, e revela a essência da cultura gamer que ainda persiste hoje, como já destacamos em nossas coberturas sobre o crescimento do mercado brasileiro.

Com informacoes de Arkade.

Kaio Vinícius Rodrigues

Sobre o Autor: Kaio Vinícius Rodrigues

Kaio é o gamer do MOTNAF.NEWS. Vive com o controle na mão e o headset na cabeça — se é jogo, console ou eSport, ele está dentro. Acompanha cada lançamento, cada trailer e cada novidade do mundo dos games com a empolgação de quem joga de verdade. Do PlayStation ao PC gamer, nenhuma estreia escapa dele. Curte tanto os grandes AAA quanto as pérolas indie que ninguém viu. Conta tudo com aquela energia de quem vive a cultura gamer no dia a dia. Seu compromisso é te manter por dentro de cada drop, update e bomba do universo dos jogos. Sempre de plantão, traz a notícia na velocidade de um speedrun. Cada matéria é feita pensando em quem ama um bom game. É MOTNAF.NEWS, é games de verdade.