Cooperativa SAF impulsiona Maringá FC rumo à Série B
Na mesma cidade, o Maringá Futebol Clube adotou o espírito de cooperativa dentro de uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) como modelo de negócio para alcançar a Série B, meta que pode se confirmar já neste fim de semana no duelo contra o Santa Cruz, em Recife.
Marinha é a terceira cidade mais populosa do estado do Paraná, com 430 mil habitantes, alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e foi eleita quatro vezes a melhor cidade para se viver entre as 100 maiores do Brasil, segundo o Instituto Macroplan.
Apesar da relevância social e econômica, a cidade cresceu sem um clube de futebol forte. O Grêmio Esportivo Maringá, fundado em 1961, foi extinto dez anos depois por dívidas, antes de ser refundado e atualmente disputar a terceira divisão paranaense. O Maringá Futebol Clube foi fundado em 2010 e se tornou SAF em 2022, motivado pela vontade de ter um time competitivo.
— Sempre tive aquela questão de que o futebol de Maringá era muito subexplorado. Tinha um palco gigante ali para acontecer, num metro quadrado mais caro da cidade, num local muito nobre. Que o estádio tem 60 anos de idade, quase 60 anos. E estava muito mal explorado — afirmou João Vitor Mazzer, presidente do clube.
Com um estádio de 18.676 lugares, o objetivo de curto prazo é fazer a população local consumir mais o clube e alcançar maior lotação no Estádio Regional Willie Davids. — Nosso problema não é falta de população para poder encher o estádio, e sim ter mais aderência com a população que nós temos — contou Mazzer ao Sport Insider.
O Maringá FC funciona como uma SAF com 26 acionistas. Mazzer é o maior acionista, mas nenhum detém mais de 6% das ações. Juntos, os acionistas conseguem bancar o clube em modelo empresarial, plano já estudado antes da Lei da SAF. Antes da conversão, o clube era administrado como Sociedade Anônima pelo mesmo grupo de empresários; após a aprovação da lei, a diretoria analisou o modelo por cerca de quatro anos antes de adotá‑lo. Não há divisão com quadro associativo; 100% das ações são dos empresários.
— Nós inventamos uma SAF cooperativa, porque a gente sabia o tamanho do desafio que estava por vir. Sou o principal acionista e os acionistas que têm mais cotas aqui têm 6% ou 5% das ações. São pessoas locais — explicou Mazzer.
O grupo de acionistas já aportou R$ 30 milhões desde que assumiu a gestão do clube, incluindo os anos de operação anteriores à conversão. Em 2025, foram investidos R$ 5,5 milhões; em 2026, o valor subiu para R$ 7 milhões.
O maior bem de uma cooperativa são os produtos que ela produz. No caso do Maringá FC, o clube forma atletas e depende da venda desses jogadores para se sustentar. Em uma divisão como a Série C, não há diversificação de receitas, com direitos de transmissão praticamente nulos e pouca exposição.
— Nós, diferente de um Paysandu, ou diferente de um Santa Cruz, que são clubes de grandes torcidas, não temos esse volume financeiro vindo do torcedor ainda. E nós temos um estádio com capacidade ociosa — comentou o presidente.
O atacante Rômulo saiu da base do Maringá em 2018 para o Athletico‑PR, onde permaneceu até 2024. De lá foi emprestado e depois vendido em definitivo ao Göztepe, da Turquia. Ele deixou o Brasil no início de 2025 e, em agosto do mesmo ano, foi negociado com o Red Bull Leipzig, da Alemanha, por 20 milhões de euros. Como formador e vendedor original, o Maringá recebeu R$ 9,6 milhões das participações nessa cadeia de transferências, exemplificando a forma de remuneração.
Embora a venda de jogadores seja importante, ela não é recorrente. Atualmente, a maior receita do Maringá é o patrocínio, na casa de R$ 6,5 milhões por ano. As transferências ocupam a segunda posição, seguidas pelas receitas de matchday — produtos, sócio‑torcedor e bilheteria — que hoje estão no mesmo patamar das transferências.
O objetivo é expandir essas linhas secundárias para que a receita operacional cubra o déficit sem depender indefinidamente de aportes dos donos. — A gente quer que essas linhas de receita operacionais sejam desenvolvidas pra que elas supram esse déficit. Só que nós vamos continuar enxutos, continuar gastando pouco e fazer essas linhas subirem — projetou Mazzer, que vê no torcedor a oportunidade de suprir totalmente o déficit do clube.
O dirigente aponta a participação da comunidade local como a via para tornar a operação financeiramente saudável, citando o exemplo do Paysandu, adversário na Série C. — É um time que consegue, numa 19ª rodada de terceira divisão, colocar 40 mil pessoas no estádio. Quanto isso injeta de dinheiro no projeto, na operação? Estádio nós temos, população nós temos, poder aquisitivo a nossa população tem — disse Mazzer, concluindo que o desafio é atrair essas pessoas para o estádio.
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Com informacoes de Sport Insider -.

