Como o livro ‘A Revolução dos Bichos’ inspirou o álbum Animals, do Pink Floyd

Por Leonardo Prado Ramos em Rio Verde, GO 08/11/2026 08:21
Como o livro ‘A Revolução dos Bichos’ inspirou o álbum Animals, do Pink Floyd

Foto: Michael Ochs Archives / Getty Images

Lançado pelo grupo de rock progressivo em janeiro de 1977, o cultuado álbum Animals tem sua narrativa central inspirada diretamente na sátira política de A Revolução dos Bichos (1945), clássico distópico do escritor britânico George Orwell. A transposição da literatura para as composições musicais refletiu a convulsão econômica do Reino Unido no final dos anos 1970. Essa ponte artística transformou o cinismo orwelliano em uma crítica contundente sobre a divisão de classes, consolidando um dos trabalhos mais viscerais da discografia da banda.

O baixista Roger Waters adaptou a fábula de Orwell para retratar a decadência social inglesa. No disco conceitual, diferentes espécies animais simbolizam camadas do capitalismo: predadores corporativos vorazes, líderes políticos moralistas e a massa trabalhadora explorada que sustenta o sistema.

Enquanto a obra original focava na ascensão do regime soviético, as letras do quarteto adaptaram as metáforas para dissecar o ambiente urbano ocidental. Essa divisão social aparece estruturada em três faixas extensas:

Cachorros: retratados na faixa “Dogs”, simbolizam os empresários agressivos e burocratas gananciosos que manipulam pessoas para atingir o topo da hierarquia corporativa, terminando a vida em isolamento moral.

Porcos: analisados na canção “Pigs (Three Different Ones)”, representam os governantes autoritários, magnatas e figuras conservadoras que impõem regras rígidas e controlam as decisões coletivas em benefício próprio.

Ovelhas: detalhadas na música “Sheep”, personificam a classe operária e o público comum, subjugados por dogmas sociais e guiados cegamente até o abate pelo sistema econômico vigente.

As sessões de gravação ocorreram nos estúdios Britannia Row, em Londres, entre 1976 e 1977. O período marcou uma transição estética decisiva para a banda, impulsionada pelo surgimento do movimento punk na Inglaterra. A indignação nas ruas londrinas influenciou diretamente a sonoridade ríspida desenvolvida no estúdio.

O processo também evidenciou atritos graves entre os membros. O guitarrista David Gilmour, o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason lidaram com a liderança autocrática de Roger Waters, que assumiu os temas líricos e conduziu o repertório. A faixa de abertura e encerramento, “Pigs on the Wing”, ofereceu o único instante de vulnerabilidade afetiva da obra.

A fusão entre literatura distópica e rock progressivo estabeleceu um documento político duradouro sobre as tensões do século XX.

Com informacoes de Rolling Stone Brasil.

Leonardo Prado Ramos

Sobre o Autor: Leonardo Prado Ramos

Léo Prado é o repórter de música do MOTNAF.NEWS: rap e hip-hop nacional e internacional, pop, sertanejo, funk, lançamentos de álbuns e singles, shows, turnês, charts (Billboard/Spotify) e prêmios. Vive ligado no que toca.