Cinema brasileiro pede vigilância internacional rigorosa para o segundo turno da eleição presidencial

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/10/2026 17:40
Cinema brasileiro pede vigilância internacional rigorosa para o segundo turno da eleição presidencial

Foto: via G1

Wagner Moura, Fernando Meirelles, Petra Costa e diversos integrantes brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgaram uma carta aberta, solicitando "atenção internacional rigorosa" para o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, previsto para 25 de outubro, conforme divulgado pela Variety.

Entre os signatários do documento estão Sônia Braga, Rodrigo Teixeira – produtor de "Ainda Estou Aqui", Anna Muylaert – diretora de "Que Horas Ela Volta", Gabriel Mascaro e Karim Ainouz, além dos já citados Moura, Meirelles e Costa.

Os artistas ressaltam que a diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual, indicando um país profundamente dividido. Eles apontam "sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional".

O jornal The Guardian noticiou que o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, provenientes de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa denominado "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil".

Outro caso mencionado envolve um site sediado nos EUA que promovia a compra de anúncios em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a promessa de ajudar crianças carentes em Uganda.

A Polícia Federal brasileira também está investigando suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores em áreas rurais.

Várias propostas de Flávio Bolsonaro exigem escrutínio rigoroso, entre elas a promessa de reescrever a Constituição brasileira de 1988 – a carta que pôs fim à ditadura militar e restaurou a democracia – com um novo texto a ser elaborado por um Congresso dominado por maioria de extrema‑direita. Essa declaração se torna ainda mais alarmante à luz da tentativa de golpe atribuída ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato, que incluía planos para assassinar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice‑presidente Geraldo Alckmin. Jair Bolsonaro está preso em conexão com esse caso, enquanto Flávio Bolsonaro prometeu conceder-lhe anistia como primeiro ato no cargo.

A preocupação dos signatários se agrava pela forma como grande parte da mídia tradicional brasileira tem normalizado esses acontecimentos, deixando de tratar com a devida seriedade as acusações contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai.

Jair Bolsonaro também foi alvo de uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, em razão das mais de 600 mil mortes por COVID‑19 registradas no Brasil durante a pandemia, alegando que mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada. Seu governo ainda foi associado ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, prometeu cortes nos gastos com seguridade social, inspirados nas políticas de austeridade do governo de Javier Milei, na Argentina.

Os profissionais da cultura alertam para o impacto dessas políticas no setor audiovisual: durante a gestão anterior, a indústria sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento de instituições culturais e denúncias de censura, gerando temores de retorno a esse cenário.

Os signatários concluem que proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis da defesa da democracia. Encaram os acontecimentos como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral na América Latina e convocam a imprensa internacional a cobrir o processo eleitoral com rigor, a comunidade audiovisual mundial a ampliar o debate e as instituições competentes a investigar as denúncias de forma independente.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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