Ben Affleck discute narrativas e política em "Sobrevivência", novo thriller que estreia em Los Angeles

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 09/10/2026 21:00
Ben Affleck discute narrativas e política em "Sobrevivência", novo thriller que estreia em Los Angeles

Foto: via G1

Ben Affleck, que dirigiu, co‑escreveu e protagoniza o longa‑metragem "Sobrevivência", descreveu o projeto como um thriller de sequestro que, na verdade, investiga a forma como as pessoas constroem narrativas falsas. "Temos o hábito de mentir, temos o hábito de apresentar uma falsa verdade, e então a questão é quanto é que estamos fazendo isso um com o outro", afirmou ao portal G1.

No filme, estreado nesta quinta‑feira, dia 8, o ator interpreta um candidato à prefeitura de Los Angeles que aparenta ter uma vida impecável: um casamento com Abigail (interpretada por Kerry Washington), uma casa confortável e um futuro promissor na política local.

A trama se complica quando o filho do casal sai para passear com a babá Cecília (Adriana Paz) e o namorado dela, Ramón (Luis Gerardo Méndez), e não retorna. A partir desse desaparecimento, surgem questionamentos sobre quem são esses personagens, quais são suas prioridades, quais privilégios detêm e até que ponto a perfeição que exibem esconde fissuras profundas.

Além do suspense, "Sobrevivência" aborda o impacto da mídia, das relações de poder e das comunidades latinas em Los Angeles. Affleck espera que o público latino se identifique com a história e que todos os espectadores reconheçam algum aspecto verídico nas situações apresentadas, sem que o filme suavize ou explore as dificuldades apenas para exaltar o diretor.

Para tornar o roteiro mais autêntico, Affleck contou com as contribuições de Kerry Washington, Adriana Paz e Luis Gerardo Méndez, incentivando que cada um escrevesse e ajustasse as cenas de acordo com suas experiências. "Eu dizia: 'Vocês escrevem estas cenas, vocês contribuem para estas cenas, vocês criam isto e trazem a voz de vocês para isto'. E eu achei muito mais verdade", declarou.

O diretor enfatizou que, embora seja complexo retratar um sistema inteiro, é possível focar em indivíduos, permitindo que o público se identifique com uma pessoa e suas circunstâncias. "As pessoas são tratadas como pessoas, não como arquétipos ou símbolos; isso as torna mais complexas e fora dos estereótipos", acrescentou.

Um dos momentos marcantes do filme ocorre quando o personagem de Luis Gerardo Méndez pronuncia, em espanhol, a frase: "Nuestro hijo está en manos de esos políticos gringos". O ator explicou que a fala transcende a situação da trama, conectando‑se ao aquecimento global, guerras, injustiças e à vulnerabilidade de quem não nasceu nos EUA, mas vive no país, sobretudo em Los Angeles, onde os personagens enfrentam riscos constantes e pouca proteção.

Affleck também refletiu sobre a política como ferramenta de exposição pessoal. Segundo ele, a política local muitas vezes se resume a apertos de mão e relações, mas também se baseia em mostrar ao eleitor um casamento idealizado: "Olhem para mim, votem em mim porque tenho um casamento tão ótimo e sou um homem de família". Ele questionou a durabilidade desse escrutínio, concluindo que a prática de apresentar uma falsa verdade é recorrente.

Em síntese, "Sobrevivência" propõe que a política, as narrativas pessoais e as realidades latinas se entrelacem, convidando o público a refletir sobre o que é revelado e o que permanece oculto nas histórias que contamos.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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