Astrônomos registram, pela primeira vez, estrela de baixa massa consumindo uma anã marrom

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 07/10/2026 09:46
Astrônomos registram, pela primeira vez, estrela de baixa massa consumindo uma anã marrom

Foto: Space Today

Um grupo internacional de astrônomos divulgou, em 5 de outubro de 2026, a primeira evidência observacional de uma transferência estável de massa de um objeto subestelar para uma estrela da sequência principal, detectada no sistema ZTF J0440+2325, localizado entre 330 e 490 anos‑luz da Terra.

O sistema, situado na direção da constelação de Touro, apresenta uma pequena estrela vermelha de classe espectral M8 que orbita a sua companheira anã marrom a cada 87 minutos, completando uma volta ao redor em menos de duas horas. Essa configuração permite que a anã marrom, cujo material ultrapassa o ponto de Lagrange interno (L1), verta gás diretamente sobre a superfície da estrela.

A descoberta foi publicada na edição de 5 de outubro de 2026 da revista Nature Astronomy por uma equipe liderada por Aaron Householder, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Os coautores incluem pesquisadores do próprio MIT, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), da Universidade de Warwick, do Instituto de Astrofísica de Canárias, da Universidade do Havaí e do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian.

Anãs marrons ocupam a faixa de massa entre aproximadamente 75 e 80 vezes a massa de Júpiter, insuficiente para sustentar a fusão estável do hidrogênio. Acima de cerca de 13 massas de Júpiter, elas conseguem queimar deutério por um curto período, distinguindo‑as dos gigantes gasosos, mas depois permanecem como objetos em esfriamento gradual, semelhantes a brasas cósmicas.

A estrela que recebe o fluxo de massa pertence à classe M8, com massa adotada de 0,083 massa solar – equivalente a cerca de 87 massas de Júpiter – e raio próximo a um décimo do raio solar. Seu brilho superficial varia entre 2.600 e 2.800 kelvins, menos da metade da temperatura da fotosfera solar, e seu interior é totalmente convectivo, sem camada radiativa.

Quando dois corpos orbitam em proximidade, cada um domina uma região em forma de gota conhecida como lobo de Roche. O ponto de equilíbrio L1, localizado na interseção dos lobos, funciona como um canal por onde o gás pode fluir de um corpo para o outro. Se a anã marrom preenche o seu lobo, a atmosfera transborda pelo L1 e é capturada pela estrela, gerando um fluxo contínuo que pode durar bilhões de anos.

Além do caso principal, os autores apresentam um segundo candidato, o sistema ZTF J1444+4820, com período orbital de 67 minutos, oculto dentro de um sistema triplo. Embora ainda necessite de confirmação, esse objeto também demonstra características compatíveis com a transferência estável de massa.

A possibilidade desse fenômeno foi prevista teoricamente na década de 1980. Trabalhos de Saul Rappaport, Frank Verbunt e Paul Joss (1983) e de Michael Hjellming e Ronald Webbink (1987) mostraram que, sob certas condições, o fluxo de massa pode permanecer estável em vez de levar à destruição rápida do objeto menor. Curiosamente, Rappaport é coautor do novo artigo, confirmando a validade de suas previsões quarenta anos depois.

Esse avanço complementa outras descobertas recentes do fantom.news, como a simulação THESAN‑1 da era da reionização, reforçando o papel da observação direta na compreensão dos processos mais extremos do universo.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.