Argentina caminha para recessão técnica e governo de Javier Milei enfrenta revés econômico

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/10/2026 17:00
Argentina caminha para recessão técnica e governo de Javier Milei enfrenta revés econômico

Foto: via VEJA

A economia argentina registrou desaceleração no terceiro trimestre de 2023, segundo projeções oficiais divulgadas nesta quarta-feira (7), indicando que o país está a caminho de uma recessão técnica, o que representa um revés para o governo de Javier Milei nas vésperas do ano eleitoral.

Os números apontam que a recuperação observada em agosto foi insuficiente para compensar as quedas de julho. No setor da construção, o crescimento foi de 0,4% no mês, após uma retração de 4,4% em julho. Já a indústria apresentou alta de 1,9% em agosto, depois de ter recuado 5,1% no mês anterior.

Analistas consultados pelo Banco Central argentino estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado aproximadamente 1% no terceiro trimestre, comparado aos três meses anteriores. Essa seria a segunda queda trimestral consecutiva, caracterizando a recessão técnica. O dado oficial do PIB para o período será divulgado em dezembro.

Em meio ao cenário de dívida bilionária, o governo argentino anunciou a venda de cidadania como medida para reforçar o caixa, detalhando os valores envolvidos na operação.

A deterioração econômica também levou economistas a revisarem drasticamente a projeção de crescimento para 2026. A estimativa média caiu para 1,5%, frente aos 3,5% previstos no final do ano passado.

Apesar da melhora pontual em agosto, os indicadores sugerem que a retomada perdeu força. Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics, comentou que os resultados da indústria e da construção mostram algum sinal de recuperação, porém ainda insuficiente para afastar o risco de recessão.

O desempenho da economia tornou-se um dos principais desafios políticos para Milei. Desde que assumiu a presidência no final de 2023, o presidente ultraliberal conseguiu reduzir a inflação, que havia atingido níveis extremos, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar a estabilização de preços em crescimento consistente e melhoria no mercado de trabalho.

Em entrevista à Bloomberg, Milei minimizou os sinais de enfraquecimento da atividade econômica e afirmou que o crescimento anual do país o deixa confiante em relação à disputa presidencial de 2027.

No entanto, a percepção da população é menos otimista. Pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg revelou que a aprovação de Milei estava em 38% em agosto, próximo ao menor nível de seu mandato. Aproximadamente 70% dos argentinos classificaram a situação do mercado de trabalho como ruim.

O governo ainda aposta que a recuperação econômica ganhará força à medida que os efeitos das medidas de estabilização fiscal e monetária se consolidem. Contudo, os dados mais recentes indicam que a trajetória entre a queda da inflação e uma retomada sustentada da atividade pode ser mais longa do que o esperado.

Com informacoes de VEJA.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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